Hipertensão
Pressão arterial cronicamente elevada. Costuma não dar sintomas e é um dos principais fatores de risco para infarto e AVC.
- Revisão médica:
- ainda não realizada
- Publicado em:
- 13 de outubro de 2026
- Última atualização:
- 13 de outubro de 2026
O que é hipertensão?
Hipertensão, ou pressão alta, é quando a pressão arterial se mantém elevada de forma persistente. A maior parte dos casos não tem causa única identificável.
A pressão é medida em milímetros de mercúrio (mmHg) e registrada em dois números: a sistólica, que é a máxima, medida quando o coração se contrai, e a diastólica, que é a mínima, medida entre uma batida e outra.
A pressão arterial depende da força com que o coração bombeia o sangue e da resistência que as artérias oferecem à passagem dele. Quando as artérias ficam mais estreitas ou o coração bombeia com mais força, a pressão sobe; na hipertensão, esse mecanismo deixa de se ajustar bem e a pressão permanece alta ao longo do dia e da noite, inclusive em repouso.
Na maior parte das pessoas, a pressão alta não provoca sintoma nenhum durante anos e costuma ser descoberta em um exame de rotina. Quando fica elevada sem controle por muito tempo, prejudica aos poucos o coração, o cérebro, os rins e os olhos, e aumenta o risco de infarto, derrame e insuficiência renal. Cerca de 3 em cada 10 adultos brasileiros têm pressão alta, segundo o Vigitel 2023, do Ministério da Saúde.
Quais valores indicam pressão alta?
A classificação usada no Brasil segue a Sociedade Brasileira de Cardiologia, indo da faixa ideal até os estágios mais altos da doença.
Quando a sistólica e a diastólica ficam em faixas diferentes, vale o número mais alto para definir a classificação. A pré-hipertensão é uma faixa de alerta: ainda não confirma a doença, mas exige acompanhamento e mudanças de hábito, porque a chance de evoluir para hipertensão é maior.
- Ótima: menos de 120 por 80 mmHg
- Normal: 120 a 129 por 80 a 84 mmHg
- Pré-hipertensão: 130 a 139 por 85 a 89 mmHg
- Hipertensão estágio 1: 140 a 159 por 90 a 99 mmHg
- Hipertensão estágio 2: 160 a 179 por 100 a 109 mmHg
- Hipertensão estágio 3: 180 ou mais por 110 ou mais mmHg
Quais são os tipos de hipertensão?
Na hipertensão primária, que responde por cerca de 9 em cada 10 casos, não existe uma causa única. A pressão sobe pela combinação de fatores genéticos, idade e hábitos de vida, e o tratamento se concentra em controlar esses fatores e, quando necessário, usar medicamentos.
Na hipertensão secundária, que representa cerca de 1 em cada 10 casos, existe uma doença por trás da pressão alta. Entre as causas estão doenças dos rins, distúrbios hormonais como o hiperaldosteronismo e o feocromocitoma, estreitamento da artéria que leva sangue ao rim, apneia do sono e o uso de alguns medicamentos, como anticoncepcionais e anti-inflamatórios. Tratar a causa pode reduzir e até resolver a pressão alta, e por isso a investigação é feita principalmente em pessoas mais jovens ou que não respondem bem ao tratamento.
Dois padrões de medida podem confundir o diagnóstico. Na hipertensão do avental branco, a pressão sobe apenas quando é medida no consultório, por causa do nervosismo, e fica normal no restante do dia. Na hipertensão mascarada, acontece o contrário: a medida no consultório é normal, mas a pressão é alta em casa ou ao longo do dia.
Já a hipertensão na gravidez surge durante a gestação, geralmente depois da 20ª semana, e pode evoluir para a pré-eclâmpsia, uma condição que exige acompanhamento próximo do pré-natal.
Quais fatores aumentam o risco?
A hipertensão resulta da soma de vários fatores, e quem tem um ou mais deles deve medir a pressão com regularidade na unidade de saúde, mesmo sem sentir nada. Os mais relevantes são:
- Histórico de pressão alta em pais, irmãos ou outros parentes próximos
- Idade mais avançada, já que a pressão tende a subir com o passar dos anos
- Excesso de peso, principalmente com gordura acumulada na região da cintura
- Alimentação com muito sal e pouco potássio
- Consumo frequente de álcool
- Sedentarismo, ou seja, pouca atividade física no dia a dia
- Tabagismo
- Estresse prolongado
- Apneia do sono
- Diabetes, colesterol alto e doença renal crônica
Quais são os sintomas?
A hipertensão costuma ser silenciosa: a maioria das pessoas não apresenta sintoma nenhum, principalmente nos estágios iniciais, e pode conviver com a pressão alta por anos sem perceber. Muitas vezes ela é descoberta em um exame de rotina.
Quando algo aparece, os sinais mais comuns são dor de cabeça, muitas vezes na região da nuca e ao acordar, tontura, cansaço e falta de energia, palpitação ou sensação de coração acelerado, visão embaçada e zumbido no ouvido.
Esses sintomas não são confiáveis para dizer se a pressão está alta ou controlada: é possível ter uma pressão muito elevada sem sentir nada e sentir dor de cabeça com a pressão normal. Por isso, o controle depende da medida, e não da sensação.
Quando procurar atendimento
Uma pressão muito alta, em geral a partir de 180/120 mmHg, acompanhada de alguns sintomas, é uma emergência médica. Em gestantes, dor de cabeça intensa, visão borrada, inchaço que piora de repente ou convulsão também exigem atendimento imediato.
Nesses casos, procure um serviço de urgência ou ligue para o SAMU 192, sobretudo diante de:
- Dor no peito, que pode irradiar para o braço ou para a mandíbula
- Falta de ar ou dificuldade para respirar
- Dor de cabeça muito forte e súbita
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo, boca torta ou dificuldade para falar
- Perda de visão ou visão muito embaçada de repente
- Confusão mental, convulsão ou desmaio
- Urinar muito menos que o habitual
Hipertensão é contagiosa?
Não. É uma condição crônica não transmissível.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela medida da pressão no consultório e depende de medições repetidas, feitas em condições adequadas e em datas diferentes. Em geral, ele é confirmado quando a pressão é igual ou maior que 140/90 mmHg em pelo menos duas ocasiões, sem que a pessoa esteja usando medicamento para pressão.
Também são usadas medidas feitas fora do consultório, que ajudam a afastar o efeito do nervosismo e a acompanhar a pressão ao longo do dia. Na medida residencial (MRPA), a média de 130/80 mmHg ou mais confirma a hipertensão; na monitorização ambulatorial de 24 horas (MAPA), vale o mesmo valor na média das 24 horas, sendo 135/85 mmHg no período de vigília e 120/70 mmHg no período de sono.
Para que o resultado seja confiável, a medida precisa ser feita com técnica correta: descansar sentado por pelo menos 5 minutos antes, manter o braço apoiado na altura do coração e usar um aparelho de braço certificado. Na primeira consulta, costuma-se medir os dois braços e usar como referência o lado com valores mais altos.
Depois de confirmar a hipertensão, o profissional investiga o impacto da doença e procura possíveis causas. Entre os exames de rotina estão a glicemia, o colesterol e os triglicérides, a creatinina e outros marcadores da função dos rins, os eletrólitos do sangue, a análise da urina e o eletrocardiograma; conforme o caso, podem ser pedidos ecocardiograma, exame de fundo de olho, ultrassonografia dos rins e testes para causas secundárias.
Quais complicações podem surgir ao longo do tempo?
A pressão alta mantida por muitos anos desgasta as artérias e sobrecarrega órgãos importantes. Muitas dessas complicações se desenvolvem sem aviso, e manter a pressão sob controle é a forma mais eficaz de reduzir esse risco. As mais frequentes são:
- Coração: infarto, insuficiência cardíaca e aumento do músculo do coração
- Cérebro: derrame (AVC), ataques isquêmicos transitórios e declínio da memória
- Rins: doença renal crônica, que reduz aos poucos a capacidade de filtrar o sangue
- Olhos: retinopatia hipertensiva, que danifica a visão e pode levar à perda permanente
- Aorta: aneurisma e dissecção, situações graves que exigem cirurgia
Tratamento e cuidados
Não comece, não suspenda e não altere a dose de nenhum medicamento por conta própria. Só um profissional de saúde pode indicar o tratamento adequado ao seu caso.
O tratamento combina mudanças no estilo de vida e, quando preciso, medicamentos. As metas de pressão são definidas caso a caso: em geral, manter a pressão abaixo de 140/90 mmHg, sem deixá-la cair abaixo de 120/70 mmHg; para pessoas com diabetes, doença renal crônica, doença coronariana, insuficiência cardíaca ou que já tiveram um AVC, a meta costuma ser mais apertada, abaixo de 130/80 mmHg; e, em idosos e pessoas frágeis, o alvo é individualizado, para evitar quedas e efeitos do excesso de redução.
As mudanças de hábito fazem parte do tratamento em todos os casos e podem, sozinhas, reduzir a pressão: limitar o sódio a menos de 2 g por dia, o equivalente a cerca de 5 g de sal, ficando atento ao sal escondido em temperos prontos, embutidos e alimentos industrializados; manter alimentação rica em frutas, verduras e grãos integrais, com menos gordura saturada; praticar pelo menos 150 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada; perder peso quando há excesso, buscando um índice de massa corporal abaixo de 25; moderar o consumo de álcool e parar de fumar; e dormir bem e cuidar do estresse.
A escolha do medicamento depende da saúde de cada pessoa, e muitas precisam de dois ou mais remédios combinados para atingir a meta. Os grupos mais usados são os diuréticos (como hidroclorotiazida e clortalidona, que ajudam a eliminar sal e água pela urina e pedem monitoramento do potássio); os inibidores da enzima conversora, os IECA (como captopril e enalapril, que podem causar tosse seca); os bloqueadores do receptor de angiotensina, os BRA (como a losartana, usados quando o IECA provoca tosse); os bloqueadores dos canais de cálcio (como anlodipino e nifedipino, que podem causar inchaço nos tornozelos e dor de cabeça); e os betabloqueadores (como atenolol, metoprolol e propranolol, indicados em situações como doença coronariana e arritmia).
Os remédios não devem ser usados por conta própria nem compartilhados. Quem tem a pressão controlada por um medicamento não deve interrompê-lo sem orientação, porque a pressão tende a subir de novo quando o efeito passa. Interromper a medicação por conta própria é um dos erros mais comuns e mais perigosos.
No SUS, o acompanhamento da hipertensão é feito principalmente na atenção básica, nas unidades básicas de saúde (UBS), com consultas, medidas de pressão, orientação e fornecimento gratuito de medicamentos. Entre os remédios oferecidos estão a hidroclorotiazida, a furosemida, a espironolactona, o captopril, o enalapril, a losartana, o anlodipino, o nifedipino, o atenolol, o metoprolol e o propranolol. Desde fevereiro de 2025, o Programa Farmácia Popular passou a distribuir sem custo todos os medicamentos de hipertensão do seu catálogo, em farmácias credenciadas.
Em casos de difícil controle, com suspeita de causa secundária ou complicações, o paciente é encaminhado para avaliação com especialista.
Como prevenir?
Manter hábitos saudáveis é a principal forma de prevenir a pressão alta, principalmente em quem tem histórico familiar ou outros fatores de risco:
- Reduzir o consumo de sal e evitar alimentos industrializados ricos em sódio
- Manter o peso saudável e a cintura dentro da medida recomendada
- Praticar atividade física com regularidade ao longo da semana
- Não fumar e moderar o consumo de bebidas alcoólicas
- Cuidar do sono e do estresse
- Medir a pressão periodicamente, mesmo sem sintomas
Perguntas frequentes
Pressão alta tem cura?
Na maioria dos casos, a hipertensão não tem cura, mas pode ser controlada. Com tratamento adequado e mudanças de hábito, a pressão se mantém em níveis seguros e o risco de complicações cai bastante. Em alguns casos de hipertensão secundária, tratar a causa pode normalizar a pressão.
Quais valores indicam pressão alta?
No consultório, a hipertensão é confirmada a partir de 140/90 mmHg em pelo menos duas ocasiões diferentes. Na medida residencial, feita em casa, a média a partir de 130/80 mmHg confirma o diagnóstico, e o mesmo vale para a média das 24 horas na monitorização ambulatorial.
Pressão alta dá sintoma?
Nem sempre. A maioria das pessoas não sente nada, e é possível ter uma pressão muito alta sem nenhum sinal. Quando aparecem, os sintomas mais comuns são dor de cabeça, tontura, cansaço, palpitação e visão embaçada, mas eles não são confiáveis para saber se a pressão está alta ou controlada.
Posso parar o remédio quando a pressão normaliza?
Não por conta própria. A pressão normaliza justamente porque o medicamento está funcionando, e interromper sem orientação faz a pressão voltar a subir e aumenta o risco de complicações. Só o profissional de saúde pode ajustar a dose ou trocar o remédio.
Como o sal influencia a pressão?
O excesso de sal é um dos principais fatores que elevam a pressão. A recomendação é limitar o sódio a menos de 2 g por dia, o equivalente a cerca de 5 g de sal. Boa parte do sal consumido não vem do saleiro, e sim de temperos prontos, embutidos, conservas e alimentos industrializados.
Existe vacina contra a hipertensão?
Não. Não existe vacina para prevenir ou tratar a hipertensão. A prevenção e o controle dependem de hábitos saudáveis, do acompanhamento regular na unidade de saúde e do uso correto dos medicamentos quando eles são indicados.
Fontes e referências
Fontes públicas consultadas na redação deste conteúdo. Cada link aponta para o documento específico, não para a página inicial da instituição.
- Hipertensão arterial: materiais e orientações, Ministério da Saúde (Brasil)
- Hypertension: fact sheet, Organização Mundial da Saúde
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica, um exame físico nem a orientação individual de um profissional de saúde. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure uma unidade de saúde. Ler o aviso médico completo
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