Infarto e AVC
Duas emergências cardiovasculares em que cada minuto conta. Reconhecer os sinais e chamar o SAMU no 192 imediatamente muda o desfecho.
- Publicado em:
- 13 de outubro de 2026
- Última atualização:
- 16 de outubro de 2026
O que são infarto e AVC?
O infarto agudo do miocárdio, também chamado de ataque cardíaco, acontece quando uma artéria que leva sangue ao coração é obstruída por um coágulo e uma parte do músculo cardíaco fica sem oxigênio.
O AVC, acidente vascular cerebral, acontece quando uma artéria do cérebro é obstruída ou se rompe, e uma região do cérebro deixa de receber sangue.
São eventos diferentes, mas têm o mesmo mecanismo: tecido sem oxigênio começa a morrer em minutos. Por isso os dois são emergências, e o tempo é o fator que mais pesa no desfecho.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, e o infarto e o AVC respondem pela maior parte dessas mortes.
Quais são os tipos?
O AVC tem dois tipos principais. O AVC isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria, responde por cerca de 85% dos casos. O AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso, é menos comum, mas costuma levar a quadros mais graves.
No infarto, o que varia entre os casos é o mecanismo da obstrução e o tamanho da área do coração afetada, o que influencia o tratamento e o prognóstico.
Existe ainda o ataque isquêmico transitório, em que os sintomas do AVC desaparecem sozinhos. Ele funciona como sinal de alerta e precisa de avaliação com urgência, porque o risco de AVC aumenta nos dias e meses seguintes.
Quais são os sinais?
No infarto, o sinal mais comum é a dor ou o aperto no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, o pescoço, a mandíbula ou as costas. A dor costuma vir acompanhada de suor frio, palidez, falta de ar, náusea e sensação de desmaio.
Em pessoas com diabetes e em idosos, o infarto pode se manifestar sem dor intensa, apenas com falta de ar, cansaço ou mal-estar. Nesses casos, a dor pode aparecer no abdômen, parecida com uma gastrite, o que atrasa a busca por atendimento.
No AVC, os sinais costumam ser súbitos e atingir apenas um lado do corpo:
- Fraqueza ou formigamento de um lado do rosto, do braço ou da perna
- Boca torta ou dormência em um lado do rosto
- Dificuldade para falar ou para entender o que é dito
- Confusão mental
- Alteração da visão em um ou nos dois olhos
- Dor de cabeça súbita e muito intensa, sem causa aparente
- Alteração do equilíbrio, tontura ou dificuldade para andar
Infarto e AVC são contagiosos?
Não. São doenças cardiovasculares, ligadas a fatores de risco como pressão alta, diabetes, tabagismo e colesterol elevado, e não se transmitem de uma pessoa para outra.
Quais são os fatores de risco?
Boa parte dos fatores de risco é comum aos dois eventos: hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, excesso de peso, alimentação inadequada, sedentarismo, uso excessivo de álcool, idade avançada e histórico familiar. Diabetes e hipertensão aumentam de duas a quatro vezes o risco de infarto.
No AVC, a fibrilação atrial merece atenção especial: quando o coração bate de forma irregular, um coágulo pode se formar e viajar até uma artéria do cérebro.
- Pressão alta, que é o principal fator de risco para o AVC
- Diabetes e colesterol alto
- Tabagismo e uso excessivo de álcool
- Excesso de peso e alimentação rica em sal e ultraprocessados
- Sedentarismo
- Fibrilação atrial e outras arritmias
- Idade avançada e histórico familiar
Como é feito o diagnóstico?
Nos dois casos o diagnóstico é feito no atendimento de urgência, a partir dos sintomas, do exame clínico e de exames de imagem e de sangue. Nada disso deve atrasar o pedido de ajuda.
No infarto, o eletrocardiograma é feito assim que a pessoa chega e o exame de sangue mede a troponina, marcador de lesão do músculo cardíaco.
No AVC, a tomografia computadorizada de crânio é o exame de imagem mais usado na avaliação inicial, porque diferencia o AVC isquêmico do hemorrágico e orienta a escolha do tratamento. Também são verificados a pressão arterial, a glicemia e o horário exato de início dos sintomas.
Quem tem fatores de risco também faz acompanhamento regular para avaliar pressão, glicose, colesterol e outros indicadores, o que permite agir antes do evento.
Como prevenir
A hipertensão é o principal fator de risco para o AVC e um dos principais para o infarto. Boa parte da prevenção é o controle dos fatores de risco ao longo dos anos.
- Medir a pressão periodicamente e tratar a hipertensão
- Controlar a glicose, no caso do diabetes
- Não fumar e não usar drogas ilícitas
- Reduzir o consumo de álcool
- Manter uma alimentação saudável, com menos sal e ultraprocessados
- Manter o peso adequado e praticar atividade física regularmente
- Tratar arritmias, como a fibrilação atrial, quando diagnosticadas
- Tomar a medicação todos os dias, sem interromper por conta própria
Tratamento e reabilitação
Não comece, não suspenda e não altere a dose de nenhum medicamento por conta própria. Só um profissional de saúde pode indicar o tratamento adequado ao seu caso.
O tratamento começa no atendimento de urgência, com medidas para restabelecer o fluxo de sangue o mais rápido possível. No infarto, a angioplastia primária é o procedimento preferido, e o trombolítico é usado quando essa opção não está disponível no tempo necessário.
No AVC isquêmico, a trombólise endovenosa pode ser indicada quando iniciada em até 4 horas e meia do começo dos sintomas, conforme os protocolos do SUS.
No SUS, o AVC é tratado nos Centros de Atendimento de Urgência, os hospitais de referência para esses casos, e o infarto segue a Linha de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio, que começa no SAMU 192. Desde setembro de 2026, uma lei ampliou a oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência, incluindo as UPAs.
Depois do evento, o acompanhamento inclui medicamentos, reabilitação e mudanças de hábito. No AVC, a fisioterapia e a fonoaudiologia iniciadas cedo fazem diferença na recuperação dos movimentos e da fala, e a reabilitação pode ser feita nos Centros Especializados em Reabilitação (CER).
O que fazer diante de uma suspeita
Chame ajuda imediatamente pelo SAMU, no número 192, ou pelo Corpo de Bombeiros, no 193. Se não for possível, leve a pessoa ao serviço de urgência mais próximo. Não espere os sintomas passarem e não leve a pessoa para casa para observar.
- Anote o horário em que os sintomas começaram: essa informação muda o tratamento
- Não ofereça comida, bebida ou medicamento por conta própria
- Não deixe a pessoa sozinha
- Peça a alguém por perto que chame ajuda, em vez de dirigir você mesmo
- Se houver perda de consciência, mantenha as vias aéreas livres e siga as orientações do serviço de emergência
Perguntas frequentes
Quanto tempo tenho para procurar ajuda em um AVC?
Procure ajuda o mais rápido possível. No AVC isquêmico, a trombólise pode ser indicada em até 4 horas e meia do início dos sintomas, e a demora reduz as chances de recuperação.
Dor no peito sempre significa infarto?
Não. Existem outras causas de dor no peito, algumas graves. Como não dá para saber em casa qual é a causa, procure atendimento imediatamente.
Pressão alta tem relação com o AVC?
Sim. A hipertensão é o principal fator de risco para o AVC, e por isso o controle da pressão ao longo dos anos é uma das medidas mais eficazes de prevenção.
Infarto e AVC são a mesma coisa?
Não. No infarto, a artéria obstruída é uma das que levam sangue ao coração; no AVC, o problema está em uma artéria do cérebro. O que os dois têm em comum é serem emergências em que cada minuto conta.
Fontes e referências
Fontes públicas consultadas na redação deste conteúdo. Cada link aponta para o documento específico, não para a página inicial da instituição.
- Infarto: sintomas, fatores de risco e atendimento, Ministério da Saúde (Brasil)
- AVC: tipos, sinais, tratamento e reabilitação, Ministério da Saúde (Brasil)
- Linha de cuidados em AVC na rede de atenção às urgências e emergências, Ministério da Saúde (Brasil)
- SUS amplia a oferta de trombolíticos para infarto e AVC, Ministério da Saúde (Brasil)
- Cardiovascular diseases: fact sheet, Organização Mundial da Saúde
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica, um exame físico nem a orientação individual de um profissional de saúde. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure uma unidade de saúde. Ler o aviso médico completo
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