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Doenças infecciosas

Tuberculose

Doença infecciosa causada por uma bactéria que ataca principalmente os pulmões. Tem cura, e o tratamento é gratuito no SUS.

Revisado pelo grupo de revisão Por Equipe editorial Saudewiki
Publicado em:
13 de outubro de 2026
Última atualização:
13 de outubro de 2026

O que é tuberculose?

Ilustração médica de um pulmão em corte com uma cavidade cheia de bacilos no lobo superior, com recorte de uma pessoa tossindo num lenço com riscos de sangue e quatro ícones de tosse persistente, febre à tarde, suor noturno e emagrecimento

Tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. Ela atinge principalmente os pulmões, na chamada forma pulmonar, mas pode comprometer outros órgãos e sistemas, como gânglios, ossos, rins e as membranas que envolvem o cérebro.

Essa forma, chamada de extrapulmonar, é mais comum em pessoas que vivem com HIV e aids, sobretudo quando a imunidade está baixa. A doença tem cura, e o fator que mais pesa no resultado é começar o tratamento cedo e levá-lo até o fim. Por isso, qualquer tosse que dure três semanas ou mais deve ser investigada em uma unidade de saúde.

Como a tuberculose é transmitida?

A transmissão acontece pelo ar. Quando uma pessoa com tuberculose pulmonar ou laríngea ativa, sem tratamento, tosse, fala ou espirra, ela lança no ambiente aerossóis, partículas muito pequenas que podem ficar suspensas por horas. Quem respira essas partículas pode se infectar. Em uma comunidade, calcula-se que uma pessoa doente sem tratamento consiga infectar, em média, de 10 a 15 pessoas ao longo de um ano.

A tuberculose não passa pelo compartilhamento de objetos. O bacilo que se deposita em roupas, lençóis, copos e talheres dificilmente se espalha pelo ar, então esses itens não têm papel importante na transmissão.

Depois que o tratamento começa, a transmissão cai aos poucos e, em geral, após cerca de 15 dias o risco já é bem menor. Mesmo assim, vale manter alguns cuidados até que o exame do catarro dê negativo: cubra a boca com o antebraço ou um lenço ao tossir e espirrar, e deixe os ambientes bem ventilados e com luz do sol. O bacilo é sensível à luz solar, e a circulação de ar ajuda a dispersar as partículas.

Quais são os sintomas?

O sintoma mais comum da tuberculose pulmonar é a tosse, que pode ser seca ou com catarro. Com o tempo, ela pode vir acompanhada de secreção com pus ou sangue. Toda pessoa com tosse por três semanas ou mais deve ser examinada para tuberculose, mesmo que os outros sintomas pareçam leves, e em grupos mais vulneráveis a recomendação é investigar a doença mesmo quando a tosse dura menos tempo. Os sinais mais frequentes são:

  • Tosse por três semanas ou mais, com ou sem expectoração
  • Febre, geralmente no fim da tarde
  • Suor noturno
  • Emagrecimento e falta de apetite
  • Cansaço excessivo
  • Sangue no catarro, em alguns casos

Leia também: quando a tosse persistente é sinal de alerta

Quando procurar atendimento

Alguns sinais pedem avaliação imediata, em pronto atendimento ou emergência:

Em crianças e em pessoas que vivem com HIV e aids, também merecem atenção a sonolência excessiva, a dor de cabeça forte e a rigidez no pescoço, que podem indicar o comprometimento das membranas que envolvem o cérebro.

  • Tosse com sangue
  • Falta de ar
  • Dor no peito
  • Febre alta que não cede

Grupos com maior risco de adoecer

Além de fatores ligados à imunidade de cada pessoa, o adoecimento por tuberculose está diretamente relacionado às condições de vida. Segundo o Ministério da Saúde, o risco de ter tuberculose é cerca de 54 vezes maior entre pessoas em situação de rua, 26 vezes maior entre a população privada de liberdade, 23 vezes maior entre pessoas que vivem com HIV e aids e 5,8 vezes maior entre imigrantes. A população indígena também adoece mais do que a média.

Outras situações que elevam o risco são:

  • Imunidade baixa, como em quem usa medicamentos imunossupressores, faz diálise ou tem diabetes
  • Desnutrição
  • Uso de álcool e de drogas
  • Convivência em locais fechados, pouco ventilados e aglomerados
  • Trabalho em serviços de saúde, sobretudo em áreas de internação e em laboratórios que lidam com a bactéria

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico combina a avaliação clínica com exames, todos disponíveis gratuitamente no SUS. Os principais são:

A radiografia de tórax entra como exame de apoio. Quando a doença está fora do pulmão, a equipe de saúde pode coletar amostras de outros locais, de acordo com os sintomas. No Brasil, a tuberculose é uma doença de notificação compulsória: todo caso confirmado é registrado pelo serviço de saúde no sistema de vigilância, o que ajuda a acompanhar a doença no país e a planejar as ações de saúde pública.

  • Teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) ou baciloscopia, feitos a partir de uma amostra de catarro
  • Cultura, que confirma a presença da bactéria
  • Teste de sensibilidade aos fármacos, que mostra se a bactéria é resistente a algum medicamento

O que pode ser confundido com tuberculose

Tosse prolongada, febre e emagrecimento aparecem em várias outras doenças, como pneumonia, bronquite e até câncer de pulmão. Por isso, o exame do catarro é o que confirma a tuberculose, evitando que ela seja tratada como outra infecção ou que outra doença passe despercebida.

Em pessoas que já têm alguma condição pulmonar, os sintomas podem se confundir, o que reforça a necessidade dos exames.

Tratamento e cuidados

Não comece, não suspenda e não altere a dose de nenhum medicamento por conta própria. Só um profissional de saúde pode indicar o tratamento adequado ao seu caso.

O tratamento da tuberculose é gratuito e está disponível exclusivamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Ele dura no mínimo seis meses; em alguns casos de crianças com a forma sensível e sem gravidade, é possível usar um esquema mais curto, de quatro meses.

O esquema básico reúne quatro medicamentos: rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. Nos dois primeiros meses, os quatro são usados em conjunto, na chamada fase intensiva. Nos quatro meses seguintes, geralmente permanecem a rifampicina e a isoniazida, na fase de manutenção. Em muitos serviços, os comprimidos vêm combinados em uma única apresentação, o que ajuda a tomar a dose certa todos os dias.

Nas primeiras semanas, é comum a pessoa já se sentir melhor, mas isso não quer dizer que a doença esteja curada. Interromper o tratamento ou tomar os remédios de forma irregular pode levar à tuberculose resistente, que é mais difícil de tratar e exige mais tempo. Alguns cuidados com os medicamentos merecem atenção:

  • A rifampicina e a isoniazida podem causar inflamação no fígado, às vezes grave; avise a equipe de saúde se a pele ou os olhos ficarem amarelados, se a urina ficar escura ou se aparecerem náusea, vômitos ou dor na barriga
  • É esperada uma cor alaranjada na urina, no suor e nas lágrimas por causa da rifampicina; isso é normal e não é perigoso
  • Alguns medicamentos podem interagir com o tratamento, e os anticoncepcionais, por exemplo, podem ter a eficácia reduzida; por isso, conte ao profissional tudo o que você usa
  • Evite bebidas alcoólicas durante o tratamento, porque o álcool aumenta o risco de dano ao fígado

Leia também: o tratamento da tuberculose é gratuito e tem cura

Acompanhamento e tratamento diretamente observado

Uma das principais estratégias de apoio é o tratamento diretamente observado (TDO). Nele, a pessoa toma o medicamento na presença de um profissional de saúde ou de outro profissional capacitado, na unidade de saúde ou até na própria residência. Desde 2023, a observação também pode ser feita por meios digitais, como vídeo, foto, chamada de voz ou mensagem com a confirmação da tomada do remédio.

O TDO deve acontecer, de preferência, todos os dias úteis da semana. O local e o horário são combinados entre a pessoa e o serviço de saúde.

Recuperação e possíveis complicações

Com o tratamento correto até o fim, a maioria das pessoas se recupera bem. Quando a doença não é tratada ou o tratamento é irregular, podem ocorrer complicações, como destruição do pulmão, sangramento e acúmulo de ar na cavidade torácica. Nas formas graves, a doença pode atingir as membranas que envolvem o cérebro; entre pessoas que vivem com HIV e aids, é uma das principais causas de morte por doença infecciosa.

Depois da cura, é possível ter tuberculose de novo. Por isso, quem já teve a doença e volta a apresentar tosse por três semanas ou mais deve procurar avaliação.

Como prevenir?

A prevenção combina a vacinação na infância com medidas que evitam a transmissão. Para isso:

  • Vacinar as crianças com a BCG, que protege contra as formas graves da doença
  • Manter ambientes ventilados e com entrada de luz solar
  • Adotar a higiene da tosse, cobrindo a boca com o antebraço ou um lenço ao tossir e espirrar
  • Evitar aglomerações em locais fechados
  • Investigar a tosse que dura três semanas ou mais
  • Realizar o tratamento até o fim, o que interrompe a transmissão
  • Avaliar e, quando indicado, tratar a infecção latente em pessoas com maior risco

Vacina BCG

A vacina BCG, oferecida pelo SUS, protege as crianças das formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a meningite tuberculosa. Ela é aplicada ao nascer ou, no máximo, até os 4 anos, 11 meses e 29 dias, e está disponível nas salas de vacinação das unidades básicas de saúde e em algumas maternidades.

Desde fevereiro de 2019, o Ministério da Saúde não recomenda mais revacinar crianças que não ficaram com a cicatriz. Bebês prematuros com menos de 2 kg não podem receber a vacina nesse momento. A BCG não impede todos os casos, por isso as demais medidas de prevenção continuam importantes.

Infecção latente pelo bacilo (ILTB)

Nem toda pessoa que entra em contato com o bacilo adoece. Em algumas, a bactéria fica no corpo sem causar sintomas, em uma condição chamada infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis, ou ILTB. Essa situação pode se manter por anos e só se transformar em doença se a imunidade cair. O maior risco de adoecer se concentra nos dois primeiros anos depois da infecção.

O tratamento preventivo é indicado por um profissional de saúde, conforme o caso. Entre as opções estão a isoniazida, que reduz em cerca de 60% o risco de a doença se manifestar, a rifampicina por quatro meses e a combinação de rifapentina com isoniazida por 12 semanas.

Diagnosticar e tratar a ILTB é uma das principais formas de evitar a doença, especialmente em:

  • Pessoas que moram com alguém diagnosticado com tuberculose
  • Crianças
  • Pessoas que vivem com HIV e aids
  • Pessoas que usam medicamentos que baixam a imunidade

Perguntas frequentes

Tuberculose tem cura?

Sim. Quando o tratamento é feito de forma correta até o fim, a tuberculose tem cura. O risco maior está em interromper os remédios antes do tempo, o que pode levar à forma resistente da doença.

A tuberculose é contagiosa?

A tuberculose pulmonar e a laríngea ativa, sem tratamento, passam de uma pessoa para outra pelo ar, pela tosse, pela fala e pelo espirro. Já a forma latente, sem sintomas, não transmite a doença.

A tuberculose passa pelo beijo, por copos ou por talheres?

Não. A transmissão acontece pelo ar, ao respirar as partículas lançadas por uma pessoa doente. Objetos compartilhados, como roupas, lençóis, copos e talheres, não têm papel importante nessa transmissão.

Quanto tempo dura o tratamento?

No mínimo seis meses. Em alguns casos de crianças com a forma sensível e sem gravidade, o tratamento pode ser mais curto, de quatro meses.

Existe vacina contra tuberculose?

Sim. A vacina BCG está disponível no SUS e protege as crianças das formas mais graves da doença. Ela não impede todos os casos, por isso as demais medidas de prevenção continuam importantes.

Peguei tuberculose de alguém, isso é motivo de vergonha?

Não. Tuberculose é uma doença infecciosa como qualquer outra, transmitida pelo ar. O estigma é um dos principais obstáculos ao diagnóstico precoce.

Conviver com quem tem tuberculose é perigoso?

Nas primeiras semanas de tratamento, a transmissão cai muito. Quem convive com um caso confirmado deve ser avaliado pelo serviço de saúde, para verificar se há infecção latente ou doença ativa.

O tratamento é gratuito?

Sim. O tratamento da tuberculose é gratuito e está disponível exclusivamente no SUS, em qualquer unidade de saúde.

Fontes e referências

Fontes públicas consultadas na redação deste conteúdo. Cada link aponta para o documento específico, não para a página inicial da instituição.

  1. Tuberculose: sintomas, diagnóstico e tratamento, Ministério da Saúde (Brasil)
  2. Tuberculosis: fact sheet, Organização Mundial da Saúde

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica, um exame físico nem a orientação individual de um profissional de saúde. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure uma unidade de saúde. Ler o aviso médico completo

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