DPOC
Doença pulmonar obstrutiva crônica: limitação progressiva do fluxo de ar, ligada sobretudo ao tabagismo. Tem tratamento e dá para viver melhor com ela.
- Publicado em:
- 13 de outubro de 2026
- Última atualização:
- 15 de outubro de 2026
O que é DPOC?
A DPOC, sigla de doença pulmonar obstrutiva crônica, é uma doença crônica que obstrui a passagem do ar nos pulmões e reúne o enfisema e a bronquite crônica.
A obstrução é progressiva e está ligada sobretudo ao tabagismo, mas não só a ele: a poeira e a fumaça do trabalho e de casa também pesam. É a terceira causa de morte no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, e costuma se manifestar depois dos 40 anos.
Quais são os sintomas?
Os sintomas da DPOC surgem de forma gradual e pioram com o tempo.
- Chiado no peito, chamado de sibilância
- Falta de ar, que piora com esforço
- Aperto ou pressão no peito
- Tosse, muitas vezes com catarro
- Piora dos sintomas à noite ou no início da manhã
- Cansaço para atividades que antes eram fáceis
- Perda de peso e de apetite nas fases mais avançadas
O que aumenta o risco?
O cigarro é o principal fator de risco, e o risco cresce com a quantidade e o tempo de exposição. A fumaça de segunda mão e a fumaça de lenha ou carvão em ambientes fechados também adoecem.
Outros fatores pesam: a poeira e os vapores químicos no trabalho, a poluição do ar, as infecções respiratórias na infância, a asma e a deficiência de alfa-1 antitripsina, uma condição genética rara.
- Fumar, em qualquer quantidade, e conviver com quem fuma
- Trabalhar exposto a poeira, sílica, cimento ou vapores químicos sem proteção
- Cozinhar ou aquecer a casa com lenha ou carvão em ambiente sem ventilação
- Ter história familiar, asma de difícil controle ou infecções respiratórias repetidas na infância
DPOC é contagiosa?
Não. A DPOC é uma doença crônica não transmissível. Uma infecção respiratória pode desencadear uma piora, mas a doença em si não passa de uma pessoa para outra.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame físico, e é confirmado pela espirometria, um exame que mede como o ar entra e sai dos pulmões. Na DPOC, a obstrução não melhora de forma significativa depois do broncodilatador, o que ajuda a diferenciá-la da asma.
O critério adotado pelas diretrizes é a relação entre o volume expirado no primeiro segundo (VEF1) e a capacidade vital forçada (CVF) abaixo de 0,70 depois do broncodilatador. A gravidade é classificada a partir do VEF1.
O que é uma exacerbação?
A exacerbação, ou crise, é uma piora súbita dos sintomas que dura dois dias ou mais e não melhora sozinha. A falta de ar aumenta, o catarro fica mais abundante ou mais escuro e pode aparecer febre.
Na maioria das vezes uma infecção respiratória dispara a crise. O tratamento costuma incluir reforço dos broncodilatadores e, quando indicado, corticoide e antibiótico. Crise grave exige atendimento de emergência.
Tratamento e cuidados
Não comece, não suspenda e não altere a dose de nenhum medicamento por conta própria. Só um profissional de saúde pode indicar o tratamento adequado ao seu caso.
O tratamento da DPOC inclui broncodilatadores inalatórios, reabilitação pulmonar e, principalmente, parar de fumar, a medida que mais muda a evolução da doença.
Usar o inalador do jeito certo é parte do tratamento: a técnica errada faz o medicamento não chegar aos pulmões. Em quem tem baixa de oxigênio no sangue, pode ser indicada a oxigenoterapia em casa, usada por pelo menos 15 horas por dia.
Como reduzir crises e a progressão
- Não fumar e evitar a exposição à fumaça do tabaco, inclusive passiva
- Evitar contato com poeira, fumaça e outros poluentes
- Manter as vacinas em dia, sobretudo contra a gripe, contra a covid-19 e contra o pneumococo
- Seguir o tratamento todos os dias, mesmo nos períodos sem sintomas
- Controlar peso e manter atividade física, com orientação profissional
- Revisar a técnica do inalador nas consultas de acompanhamento
Complicações e outras condições
A DPOC costuma vir acompanhada de outras condições, que se influenciam entre si e merecem acompanhamento na mesma rotina de consultas.
- Doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca e arritmias
- Osteoporose, sobretudo em quem usa corticoide com frequência
- Ansiedade e depressão
- Perda de peso e de massa muscular
- Apneia do sono e, em quem fumou por muitos anos, maior risco de câncer de pulmão
Vida diária com DPOC
Com tratamento e acompanhamento, a maioria das pessoas consegue manter uma rotina ativa. Alguns ajustes ajudam a viver melhor com a doença.
- Manter alimentação equilibrada e peso saudável, porque os músculos da respiração também dependem de nutrição adequada
- Praticar atividade física adaptada à condição, com orientação profissional
- Treinar a respiração, como a respiração com os lábios franzidos e a respiração diafragmática
- Deixar a casa ventilada e livre de fumaça, poeira e mofo
- Manter consultas regulares e revisar os medicamentos com a equipe de saúde
Sinais de alerta e quando procurar atendimento
Uma piora grave é uma emergência. Ligue para o SAMU (192) ou vá imediatamente a um pronto atendimento, sem esperar melhorar sozinho, se houver:
- Dificuldade para falar frases completas
- Uso visível da musculatura do pescoço e das costelas para respirar
- Lábios ou pontas dos dedos azulados
- Sonolência ou confusão durante a piora
- Falta de resposta ao medicamento de alívio
- Piora progressiva apesar do tratamento habitual
Perguntas frequentes
Parar de fumar ajuda quem já tem DPOC?
Sim. É a medida que mais altera a evolução da doença: reduz a velocidade da perda de função pulmonar e melhora os sintomas.
DPOC tem cura?
Não existe cura que devolva a função pulmonar perdida, mas o tratamento controla os sintomas, reduz as crises e permite manter uma vida ativa.
Quem tem DPOC precisa tomar vacinas?
Sim. A vacina contra a gripe é recomendada todos os anos, e há outras indicadas, como a do pneumococo e a da covid-19. A equipe de saúde orienta quais são as suas.
Fontes e referências
Fontes públicas consultadas na redação deste conteúdo. Cada link aponta para o documento específico, não para a página inicial da instituição.
- Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC): folha informativa, Organização Mundial da Saúde
- Tabagismo: orientações e tratamento, Ministério da Saúde (Brasil)
- Calendário Nacional de Vacinação, Ministério da Saúde (Brasil)
- Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da DPOC, Ministério da Saúde (Brasil)
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica, um exame físico nem a orientação individual de um profissional de saúde. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure uma unidade de saúde. Ler o aviso médico completo
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